25.1.07

O PARQUE IBIRAPUERA E O IV CENTENÁRIO

No dia de hoje que São Paulo comemora os 453 anos de sua fundação me veio à lembrança um outro aniversário da cidade exatamente há 53 anos, e não dá para falar do IV Centenário de São Paulo sem falar do Parque Ibirapuera que foi o símbolo das comemorações na época.
No final dos anos 20 o prefeito Pires do Rio decidiu criar um parque na região do Ibirapuera, inspirando-se no “Bois de Bologne” de Paris, mas o terreno era por demais alagadiço, servindo a pasto de bois por ser bastante próximo do Matadouro Municipal.
Aí entrou em cena um funcionário municipal bastante dedicado que plantou centenas de eucaliptos na região com a finalidade de drenar o terreno. Seu nome era Manequinho Lopes que hoje dá nome ao viveiro de plantas localizado no parque.



Parque Ibirapuera em 1890

Mapa do Parque em 1954


Em 1951 o prefeito Armando de Arruda Pereira formou uma comissão para decidir o que fazer com a área do parque e foi entregue a Oscar Niemeyer o projeto arquitetônico, e a Roberto Burle Marx o projeto paisagístico, mas as obras do parque só terminaram em 21 de agosto de 1954, portanto após as festividades do IV Centenário da cidade.



Parque Ibirapuera - Maquete do Projeto Original


Parque Ibirapuera - Maquete aprovada

Nos dias 9, 10 e 11 de julho de 1954 tiveram lugar as festividades de comemoração aos 400 anos da cidade fundada pelos jesuítas em 1554 com um colégio que foi um dos palcos das festividades nestes dias, os outros foram a Catedral da Sé e o Parque Ibirapuera.



Parque Ibirapuera - Pavilhão do Rio Grande do Sul

Parque Ibirapuera - Obras em 1954

Em todos os rádios ouvia-se o dobrado “IV Centenário” do saudoso Mario Zan, que ficou por muitos anos conhecido como o sanfoneiro do IV Centenário. Como morava perto do parque meu pai me levou lá onde havia um stand da Ford, empresa que meu pai trabalhava na época. Eu tinha 8 anos de idade, mas me lembro como se fosse hoje: os lagos de água límpida, os diversos pavilhões, sendo o que mais me impressionou foi o do Rio Grande do Sul, uma grande estrutura sanfonada sustentada por cabos de aço e um pavilhão feito de aço que lembrava um pagode chinês, ficava sobre o lago e o que restou dele ainda pode-se ver sendo usada como uma simples ponte para pedestres.
Num dos dias à noite foi realizada uma chuva de triângulos de papel prateado que foram jogados de aviões da FAB e iluminada por potentes holofotes do Exercito, formavam um bonito espetáculo. Não consegui pegar nenhum, mas lembro-me do meu amigo e visinho o hoje radialista Bene Alves contando que seu pai pegou um. Mais tarde soube que o espetáculo foi patrocinado por Baby Pignatari que era dono de uma metalúrgica na época.


Inauguração do Parque

O prefeito Armando de Arruda Pereira deixou o cargo em 7-4-1953 sendo substituído por Jânio da Silva Quadros que deixou o cargo às vésperas das festividades, mais precisamente em 6-7-1954 para se candidatar a governador, sendo substituído pelo seu vice Porfírio da Paz. Depois dele tivemos novamente Jânio da Silva Quadros, William Salem e Juvenal Lino de Matos que transferiu a sede da PMSP para o parque onde permaneceu até 1992.
Depois da inauguração do parque, por residir perto ia quase todos os fins de semana para lá de bicicleta, portanto assisti de perto a degradação, dilapidação e destruição do maior parque público de São Paulo. Diversos pavilhões tiveram que ser demolidos por falta de manutenção, entre eles o Pavilhão do Rio Grande do Sul que eu tanto admirava.
Daí para diante, os pavilhões restantes foram sendo ocupados por Repartições Públicas, entre eles o do Detran que ficou separado do parque por uma avenida.
Em 2004 quando São Paulo fez 450 anos eu por ingenuidade achei que haveriam comemorações se não iguais mas pelo menos que lembrassem as festividades dos 400 anos da cidade, mas me esqueci que no executivo municipal em 2004 imperava a incompetência administrativa com os assuntos mais básicos e necessários à condução da cidade, tornando portanto inviável qualquer solenidade à altura da data.
Silvio A. Neves

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8 Comments:

At 1:03 PM, Anonymous Anônimo said...

lembro-me bem. tinha 11 anos a epoca. Peguei varios triangulos
em aluminio com aproximadamente
5x3cm. com 2/10 de mm. de espessura. com frases escritas comemorativas ao 4º centenario.
Infelizmente perdi esse "souvenir"
com o passar dos anos. A lembrança
do acontecimento porem me leva ao passado e de alguma forma satisfaz minha saudade daquele bom tempo de criança.

 
At 11:37 PM, Anonymous Jace said...

Keep up the good work.

 
At 10:13 PM, Anonymous Anônimo said...

Bonjorno, saopaulominhasmemorias.blogspot.com!
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At 11:53 AM, Anonymous Anônimo said...

Parabéns! Muito boas as fotos e o texto. Mais uma vez, parabéns pelo seu trabalho.

 
At 9:16 PM, Blogger giselda said...

Ah...Também perdi meu triângulo de alumínio. Meu irmão mais velho guardou e encontrei no meio de um livro. Adolescente na época, deixei no meio do livro e este foi doado sabe-se lá para onde. Hoje não me conformo de não ter dado mais valor!

 
At 3:16 PM, Blogger Undomiel said...

Boa tarde.
Estou aqui pra pedir ajuda. Preciso fazer uma maquete do MAC Ibirapuera no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, mas ela deve ser feita em escala, ou seja, preciso de medidas, planta baixa, algo que me ajude a fazer na escala correta.
Se houver algum material disponível que possa me ajudar, eu agradeço muito.
Obrigada.

 
At 7:13 AM, Anonymous Silvia Quinze said...

Sempre quis conferir um desses triângulos.
Todas vez que ouço ou leio esta história fico pensando se alguém se machucou com as pontas, hehehehe
Todavia me alegra o pensamento deles brilhando ao sol e a felicidade das pessoas numa chuva de prata.
Parabéns!

 
At 11:17 PM, Blogger Paulo Kirschner said...

Eu tenho um desses triângulos, oferecidos para a cidade pela Wolff, marca de talheres de prata das Indústrias Pignatari. São flexíveis, um pouco mais espessos que as folhas de "papel aluminio" que compramos hoje no mercado.

 

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